DESTINO: LAROC
By Alice Morais
Conheça um dos melhores clubes do mundo, sediado em Valinhos,
interior de São Paulo
Como as publicações internacionais costumam dizer, o Laroc Club encontra-se ‘em um vale no meio do nada’, mais especificamente no KM 118 da Rodovia Dom Pedro I, na cidade de Valinhos, a poucos minutos de Campinas e a apenas uma hora da capital paulista.
O Laroc foi inaugurado em outubro de 2015 com Nicky Romero. Nascia ali o primeiro sunset club do Brasil, que ano a ano veio conquistando o prestígio da imprensa especializada e, com seu serviço impecável e grade artística singular, também foi amplamente abraçado pelo público, colecionando eventos com ingressos esgotados e um expressivo engajamento nas redes sociais – atualmente a casa tem cerca de 500 mil seguidores no Instagram.
A atmosfera de festival e o mix perfeito de estrutura, tecnologia e serviço formaram os ingredientes ideais para a escalada do club no ranking global Top 100 Clubs, votação popular promovida pela revista britânica DJ Mag. Da 45ª posição em 2017 para o merecido 7º lugar em 2026, o superclube teve um papel fundamental na disseminação da música e cultura eletrônica no Brasil.
DJs como Martin Garrix, Armin van Buuren, Tiësto, Boris Brejcha, Solomun, Deadmau5, John Summit, Dom Dolla, Hardwell, Axwell, Alesso, Steve Angello, Disclosure, Erick Morillo, Steve Aoki e Peggy Gou são apenas alguns dos personagens que fazem parte do hall de grandes nomes que já pilotaram a nave.
Proporcionando uma experiência musical autêntica, que beira o espetáculo, o club tem capacidade para 5 mil pessoas, o que se amplia quando seu próprio festival entra em cena, o Ame Laroc Festival, que utiliza também a área do Ame Club como segundo stage, ativando uma área ampliada, denominada Complexo Ame Laroc. Desde 2019, o maior carnaval eletrônico do Brasil acontece ali, com uma vasta gama de atrações internacionais, recebendo cerca de 25 mil pessoas por edição.
Cercado por uma belíssima área verde – a Serra dos Cocais –, o conglomerado chama a atenção pela beleza de seu pôr do sol, suas rochas (que foram a inspiração para o nome) e suas árvores. Tudo se integra perfeitamente com a piscina e um pé direito majestoso, com um teto cenográfico e um palco desenvolvido pela empresa holandesa 250k, responsável por projetos de palcos dos maiores festivais do planeta, como Rock In Rio e Untold.
UMA HISTÓRIA QUE VAI VIRAR FILME
E logo mais a história do clube vai virar filme. Vem aí o documentário “Larockers”, que vai retratar os bastidores da primeira década do sunset club, através de depoimentos reais dos Larockers de dentro e de fora da casa. Artistas, colaboradores e público na mesma tela, com uma narrativa marcada por construção e pura devoção à música eletrônica. Artistas como Alok, Vintage Culture, Axwell, Martin Garrix e Armin van Buuren estão garantidos no documentário, com previsão de lançamento para outubro. Programe-se! A pipoca será por conta da casa.
Conversamos com Silvio Soul, um dos sócios da LaRoc, sobre sua trajetória, desafios e planos para o futuro.
Como você começou a trabalhar com produção de eventos de música eletrônica?
Eu comecei porque acreditava que o Brasil podia viver a música eletrônica em outro nível. Na época, muita coisa ainda era limitada em estrutura, experiência e conceito. Eu enxergava espaço para criar algo realmente grandioso, comparável aos grandes projetos internacionais.
Desde o início, sempre fui muito envolvido em cada detalhe dos eventos. Isso me ajudou a desenvolver uma visão muito forte sobre experiência, estrutura e conexão com o público. O Laroc nasceu exatamente dessa vontade de criar algo único e elevar o nível da cena eletrônica no Brasil.
Qual foi o primeiro grande desafio que en-frentou nesse mercado?
O maior desafio no começo foi fazer as pessoas acreditarem que era possível criar no Brasil uma experiência de música eletrônica em outro nível. Na época, ainda existiam muitas limitações de estrutura, conceito e visão dentro do mercado. Foi um processo de muito trabalho, persistência e aprendizado até conseguir transformar essa ideia em algo real e construir uma identidade forte para o público
Quem é a sua maior inspiração ao longo de sua trajetória?
Minha maior inspiração sempre foi a vontade de construir algo único no Brasil, criando experiências que realmente marcassem as pessoas. Claro que existem grandes referências internacionais que me inspiraram ao longo da trajetória, mas acredito muito na força do coletivo. Nada disso seria possível sem as pessoas que caminharam comigo desde o início. Meu time, meus parceiros e todos que ajudaram a construir essa história fazem parte da minha maior inspiração até hoje.
Quais foram os momentos decisivos e desafiadores que marcaram sua carreira até hoje?
Acho que os momentos mais decisivos foram justamente aqueles em que tivemos que crescer sem perder nossa essência. A criação do Laroc foi um grande marco, porque representava uma aposta muito ousada para a época. Depois vieram outros desafios importantes, como a expansão para novos projetos e a responsabilidade de transformar o Grupo Laroc em algo maior do que apenas uma casa de eventos. Também existiram momentos difíceis, onde foi preciso tomar decisões rápidas, lidar com pressão e continuar acreditando mesmo em cenários incertos. Mas acredito que são justamente esses desafios que moldam a visão, fortalecem o time e fazem a gente evoluir como empresário e como pessoa.
Qual conquista pessoal você mais valoriza dentro da sua trajetória?
A conquista que eu mais valorizo é ter conseguido construir algo que realmente impacta pessoas. Ver a emoção do público, perceber que os nossos eventos criam memórias especiais e saber que ajudamos a fortalecer a cena eletrônica brasileira é algo que tem muito valor para mim. Também tenho muito orgulho das pessoas que cresceram junto com o projeto ao longo dos anos. Acho que construir uma marca forte é importante, mas construir uma trajetória que conecta pessoas e gera oportunidades é ainda mais gratificante.
Como você equilibra a paixão pela música com as exigências da produção de eventos?
Existe muita responsabilidade, pressão e tomada de decisão nos bastidores, mas quando você realmente ama o que faz, tudo ganha propósito. Ao longo dos anos, aprendi que é preciso equilibrar o lado criativo com a visão empresarial e operacional. Acho que o segredo está em nunca perder a essência e continuar enxergando cada evento como uma experiência única para
Como você define sua contribuição para a cena eletrônica brasileira?
Acredito que minha contribuição foi ajudar a elevar o nível da experiência da música eletrônica no Brasil, mostrando que o país tem capacidade para entregar eventos e estruturas comparáveis aos grandes polos do mundo.
Também fico feliz por ter ajudado a fortalecer a cena eletrônica como um mercado mais profissional, sustentável e relevante culturalmente. Ver artistas, marcas e o próprio público enxergando a música eletrônica brasileira com cada vez mais força e respeito é algo que me orgulha muito.
Que conselho você daria para quem está começando agora na produção de eventos musicais?
Meu principal conselho é entender que evento não é só glamour. Existe muito trabalho, pressão, risco e dedicação por trás de tudo isso. É fundamental conhecer cada detalhe da operação, ter responsabilidade financeira e construir relações sólidas no mercado.
Mas, acima de tudo, é importante ter autenticidade e propósito. Quem consegue criar experiências verdadeiras, com identidade e consistência, acaba construindo algo duradouro no longo prazo.