PRADA E A ETERNA REINVENÇÃO DO LUXO
ORIGENS
TRANSIÇÃO FAMILIAR
Após a morte de Mario Prada, a liderança da empresa passou para sua filha Luisa Prada, que manteve a tradição artesanal e o prestígio da marca. Foi um período de continuidade, em que a Prada permaneceu fiel ao luxo clássico, sem gran-des rupturas estilísticas, mas preservando sua aura de exclusividade.
A REVOLUÇÃO DE MIUCCIA PRADA
Em 1978, Miuccia Prada, neta de Mario, as-sumiu a direção criativa da maison. Com forma-ção em ciências políticas e paixão pela arte, ela trouxe uma visão intelectual e ousada. Em 1985, a marca lançou a icônica bolsa de nylon preto, que redefiniu o conceito de luxo ao transformar um material industrial em objeto de desejo. Pou-cos anos depois, em 1989, apresentou a primeira coleção de prêt-à-porter feminino, marcada por linhas minimalistas e elegância conceitual. Essa fase consolidou a Prada como uma das casas mais inovadoras da moda.
Nos anos 1990, a Prada ampliou seu alcance global e lançou a Miu Miu (1993), uma linha mais jovem e irreverente. A marca também expandiu para perfumes, óculos e colaborações artísticas, tornando-se referência cultural além da moda.
O LUXO EM MOVIMENTO
Mais do que roupas e acessórios, a Prada representa uma filosofia estética: o luxo como expressão de identidade e pensamento. Suas coleções transitam entre o clássico e o expe-rimental, sempre provocando reflexões sobre moda, arte e sociedade.
Atualmente, a Prada é um império global com presença em capitais da moda e boutiques exclusivas no Brasil. A marca mantém sua es-sência sofisticada, mas dialoga com o futuro por meio de iniciativas sustentáveis, como a cole-ção Re-Nylon, feita com materiais reciclados. A dupla criativa Miuccia Prada e Raf Simons im-prime uma estética que combina rigor intelec-tual e frescor contemporâneo, mantendo a grife na vanguarda cultural.
A trajetória da Prada é um testemunho de como tradição e inovação podem coexistir em perfeita harmonia. De uma pequena boutique de couro em Milão ao status de império global, cada capítulo da sua história reflete a capaci-dade de se reinventar sem perder a essência. A marca soube transformar materiais simples em objetos de desejo, e coleções em manifestos culturais, sempre desafiando o olhar conven-cional sobre o luxo.
Hoje, mais de um século depois, a Prada continua a ditar tendências e a provocar re-flexões sobre moda, arte e sociedade. Sua força está em permanecer fiel à sofisticação enquanto abraça o futuro com ousadia e res-ponsabilidade. É essa combinação de rigor in-telectual, estética refinada e visão sustentável que garante à Prada não apenas relevância, mas também um lugar eterno no imaginário do luxo contemporâneo.
A FUSÃO DE DUAS
POTÊNCIAS ITALIANAS
Em abril de 2025, o Grupo Prada anunciou o acordo definitivo para adquirir 100% da Versace da Capri Holdings, consolidando duas das marcas mais importantes da moda italiana sob o mesmo teto. A transação, avaliada em aproximadamente €1,25 bilhões, foi financiada por dívida e aprovada após negociações intensas. Para a Capri Holdings, que havia comprado a Versace em 2018 por US$ 2,1 bilhões, a venda representou uma forma de reduzir dívidas e concentrar esforços em duas outras marcas: Michael Kors e Jimmy Choo. Já para a Prada, o movimento foi estratégico: além de ampliar seu portfólio, reforçou sua posição como líder global no setor de luxo.
A aquisição foi celebrada como uma união de estilos contrastantes: o minimalismo intelectual da Prada e a exuberância maximalista da Versace. Donatella Versace, diretora criativa, destacou em redes sociais o simbolismo da transação, lembrando o legado de seu irmão Gianni e a conexão histórica com Miuccia Prada. O grupo garantiu que a Versace manteria sua identidade criativa e cultural, mas agora apoiada pela infraestrutura industrial e comercial da Prada. Essa combinação promete reposicionar a Versace, que vinha enfrentando desempenho mediano no pós-pandemia, e dar novo fôlego às suas coleções.
Os primeiros resultados após a integração mostraram crescimento: no primeiro trimestre de 2026, o Grupo Prada registrou aumento de 6% no faturamento, impulsionado pela contribuição da Versace, que somou cerca de €143 milhões em vendas. A estratégia do conglomerado é reposicio-nar a marca em direção a vendas de preço cheio, maior qualidade e profundidade de oferta, com a chegada de Pieter Mulier como novo diretor artís-tico prevista para 2026. Assim, a compra da Ver-sace pela Prada não apenas fortalece o setor de luxo italiano, mas também sinaliza uma nova fase de expansão e inovação para ambas as marcas.
LOOKS PRADA